A fotógrafa Rosa Galditano teve seu primeiro contato com os povos indígenas brasileiros em 1989, durante o I Encontro dos Povos Indígenas do Xingu, que reuniu, em Altamira, no sul do Pará, 3 mil pessoas, das quais 650 eram índios, para protestar contra a construção de barragens no Rio Xingu. Ao perceber, no contato com as lideranças indígenas presentes ao Encontro, a riqueza da diversidade cultural existente nas mais de 200 etnias brasileiras, Galditano resolveu que iria documentar esses povos e divulgar seus modos de vida e idéias, sua cultura e sabedoria, o que fez incansavelmente nos dez anos que se seguiram.
Um mostra desse trabalho, que já rendeu vários frutos entre exposições e livros, é encontrada em Índios - Os primeiros habitantes, obra da fotógrafa que integrou o projeto Caixa & Memória e foi publicada em 1999, pelas editoras DBA e Melhoramentos. Com textos em português e inglês de Ulisses Capozolli, Wladimir Catazaro, Ângela Magalhães, Nadja Pellegrino, além da própria Rosa, o livro traz 55 fotos coloridas, em 78 páginas, que expressam um pouco do cotidiano de oito nações remanescentes desses 500 anos de ocupação européia no Brasil.
Crianças, objetos, adornos (principalmente cocares), cerimônias xavantes, além de várias cenas mostrando o trabalho e o dia-a-dia das mulheres, retratam dignidade e luta de povos que, depois de quase desaparecer, voltam a crescer e a impor seus direitos. Segundo a própria autora, em declaração dada em um programa Roda Vida, da TV Cultura, "as fotos procuram mostrar o que ainda existe, o que é mais forte dentro da cultura indígena, que são todas as tradições que são passadas durante séculos de pai para filho, onde os velhos ensinam as crianças. Procuro mostrar a essência de cada população indígena que fotografei, porque acho que é aí que está a força de eles estarem, ainda hoje, sobrevivendo".
Com cores fortes, marcadas pelo contraste entre o vermelho (das pinturas e vestes indígenas) e o verde das matas, a fotos têm força para contar uma história, ainda sem final definido. As cenas retratam os povos yanomami, guarani, pankararu, kayapó, carajá, arara, tucano e xavante. No final, um mapinha ajuda a localizar onde vivem esses povos atualmente, nos estados de São Paulo, Tocantins, Mato Grosso, Pará, Amazonas e Roraima. Para Rosa, em seu texto de apresentação do livro, "as populações indígenas têm muito a ensinar sobre os segredos da vida e da natureza no Brasil. Para que isso efetivamente ocorra, será preciso apoiá-las em sua luta pela sobrevivência e manter o espírito aberto para aprender com eles". Esse parece ser um convite e um chamamento que ela faz em cada foto da publicação.