entre nessa onda
Greenpeace faz campanha pela preservação dos mares
Relatório sobre a situação dos mares brasileiros revela que 80% das espécies exploradas pela pesca comercial estão ameaçadas de extinção e apenas 0,4% dos 8.600 km da costa fazem parte de Áreas Marinhas Protegidas
Por Roberta Ávila
Planeta Sustentável - 22/08/2008
[img1] O Greenpeace lançou, no dia 19 de agosto, a campanha “Entre Nessa Onda”, a primeira da ONG voltada para a preservação marinha no Brasil. A iniciativa vem em resposta ao relatório “À deriva – Um panorama dos mares brasileiros”, elaborado pela Organização após a consulta de 46 especialistas no assunto e que aponta que o estoque pesqueiro do Brasil é explorado além da sua capacidade de reprodução e muitas espécies estão ameaçadas de extinção.
Leandra Gonçalves, coordenadora da campanha destacou que o objetivo inicial da campanha é a conscientização. Uma pesquisa feita pelo Instituto Ipsos nas principais capitais do país, a pedido do Greenpeace, constatou que os brasileiros são mal informados sobre a necessidade de proteger o ecossistema marinho.
Como forma de sensibilizar as pessoas para o problema, o Greenpeace está promovendo algumas ações: uma instalação, uma mostra de fotografia e o lançamento do filme "O mar é nosso?".
O filme tem roteiro e direção de Lawrence Wahba, mergulhador e cinegrafista submarino, que também fez os filmes “Dez Anos em Busca dos Grandes Tubarões" e “A Ilha dos Golfinhos”. Parceria do Greenpeace com o Canal Azul, o vídeo, que está sendo lançado junto com a campanha, usa uma linguagem didática para explicar a necessidade de preservar o mar. Mil cópias serão distribuídas para escolas com fins educativos e o canal de TV National Geographic o exibirá no mês de setembro:
- dia 20, às 12 h
- dia 24, às 16h e
- dia 28, às 13 h.
A instalação - composta por um túnel de quase 30 metros de comprimento, quatro espaços cenográficos e um cine-iglu - reproduz cheiros, sons e sensações ligadas ao mar e aos desafios de conservá-lo. Nos dias 23 e 24 de agosto, ela estará montada no Parque Villa-Lobos, em São Paulo. Depois seguirá para outras capitais brasileiras, entre elas Salvador, Rio de Janeiro e Porto Alegre.
A mostra de fotografias “Defendendo Nossos Oceanos”, em exposição no Conjunto Nacional, em São Paulo, até o dia 21 de agosto, exibe imagens capturadas durante a última campanha do Greenpeace, na Antártida, em defesa das baleias. A expedição contou com a participação de Leandra, que acredita que as pessoas não se dão conta da necessidade de preservar o mar porque é difícil conceber que debaixo de todo aquele azul existem problemas.
LONGE DA VISTA, LONGE DO CORAÇÃO
“As pessoas pensam que o mar é infinito, não compreendem que estamos extraindo dele muito mais do que ele pode nos dar”, diz o Almirante Gusmão Câmara, paleontólogo e ambientalista. Para ele, nós não entendemos os problemas ligados à preservação dos oceanos porque não os vemos, mas alguns deles são irreversíveis, como os efeitos do aquecimento global, a degradação das áreas costeiras pela ocupação humana e a introdução de espécies exóticas em habitats a que não pertenciam naturalmente.
Apesar das dificuldades e dos números alarmantes citados pelo Almirante, que indicam, por exemplo, que 30% dos corais do mundo – que abrigam um quarto das espécies marinhas – passam por problemas muito sérios e que 20% de todos os mangues foram destruídos para a criação de camarão, Gusmão Câmara acredita que muito pode ser feito na tentativa de desacelerar a degradação dos mares. A otimização do método de pesca seria uma atitude para amenizar o problema, já que a pesca de arrasto desperdiça até 95% do que é capturado.
Gilberto Salles, oceanógrafo ligado ao ICM Bio - Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade e ao Projeto Tamar, defende que classificar a pesca como algo ruim seria simplificar uma questão complexa. A certificação da atividade, com critérios que respeitem a reprodução das espécies, poderia ser uma saída. Para ele, os problemas ambientais são uma evidência de que passamos por uma crise em nosso modelo de civilização e não há solução simples, assim como os pescadores não são vilões e os ambientalistas não são mocinhos. “Não há os bons e os ruins, há atos equivocados e desinformação”, diz.
O BEM DO MAR É O MAR, É O MAR
Para agir a favor da preservação do mar é possível adotar medidas simples. Uma delas é não fazer, na praia, o que não se faz dentro de casa, como jogar lixo no chão. Outra maneira é pressionar o governo através de ações individuais – como escrever cartas e participar de passeatas – ou de ações coletivas – apoiando uma ONG, por exemplo, para que a fiscalização da pesca e das áreas de conservação já existentes seja mais eficiente e para que sejam criadas novas áreas de conservação.
Ana Paula Prates, coordenadora do Núcleo da Zona Costeira e Marinha do Ministério do Meio Ambiente , destacou a importância da existência de uma demanda da sociedade para que o governo atue mais na preservação ambiental. Ela também indicou avanços na política pública nessa área, como a publicação, em 2006, do decreto do Plano Nacional de Áreas Protegidas que tem como meta estabelecer até 2015 um sistema abrangente de áreas protegidas ecologicamente, tanto terrestres como marinhas.
Segundo Ana Paula, a falta de recursos ainda é um fator que limita a atuação do Ministério do Meio Ambiente, mas já houve avanços: apesar de o foco principal do órgão ser o combate ao desmatamento, a verba liberada este ano para a fiscalização da pesca passou de R$6 milhões para R$18 milhões.
O Greenpeace recomenda que 40% da costa seja incluída em reservas marinhas – meta superior aos 20%, a curto e médio prazo, e aos 30%, a longo prazo, estabelecidos pela ONU. O Ministério do Meio Ambiente estabeleceu uma porcentagem mais tímida – de 10% da costa brasileira - como objetivo até 2012, mas Ana Paula reconhece que, ainda assim, é uma meta difícil de ser cumprida.
Para Leandra, o lançamento da campanha “Entre nessa onda” é um passo importante para a ONG, que expande sua área de atuação no Brasil.
Leia também:
Diretor do Greenpeace visita a Praça Victor Civita
Blog da campanha "Entre nessa onda"
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Leandra Gonçalves, coordenadora da campanha destacou que o objetivo inicial da campanha é a conscientização. Uma pesquisa feita pelo Instituto Ipsos nas principais capitais do país, a pedido do Greenpeace, constatou que os brasileiros são mal informados sobre a necessidade de proteger o ecossistema marinho.
Como forma de sensibilizar as pessoas para o problema, o Greenpeace está promovendo algumas ações: uma instalação, uma mostra de fotografia e o lançamento do filme "O mar é nosso?".
O filme tem roteiro e direção de Lawrence Wahba, mergulhador e cinegrafista submarino, que também fez os filmes “Dez Anos em Busca dos Grandes Tubarões" e “A Ilha dos Golfinhos”. Parceria do Greenpeace com o Canal Azul, o vídeo, que está sendo lançado junto com a campanha, usa uma linguagem didática para explicar a necessidade de preservar o mar. Mil cópias serão distribuídas para escolas com fins educativos e o canal de TV National Geographic o exibirá no mês de setembro:
- dia 20, às 12 h
- dia 24, às 16h e
- dia 28, às 13 h.
A instalação - composta por um túnel de quase 30 metros de comprimento, quatro espaços cenográficos e um cine-iglu - reproduz cheiros, sons e sensações ligadas ao mar e aos desafios de conservá-lo. Nos dias 23 e 24 de agosto, ela estará montada no Parque Villa-Lobos, em São Paulo. Depois seguirá para outras capitais brasileiras, entre elas Salvador, Rio de Janeiro e Porto Alegre.
A mostra de fotografias “Defendendo Nossos Oceanos”, em exposição no Conjunto Nacional, em São Paulo, até o dia 21 de agosto, exibe imagens capturadas durante a última campanha do Greenpeace, na Antártida, em defesa das baleias. A expedição contou com a participação de Leandra, que acredita que as pessoas não se dão conta da necessidade de preservar o mar porque é difícil conceber que debaixo de todo aquele azul existem problemas.
LONGE DA VISTA, LONGE DO CORAÇÃO
“As pessoas pensam que o mar é infinito, não compreendem que estamos extraindo dele muito mais do que ele pode nos dar”, diz o Almirante Gusmão Câmara, paleontólogo e ambientalista. Para ele, nós não entendemos os problemas ligados à preservação dos oceanos porque não os vemos, mas alguns deles são irreversíveis, como os efeitos do aquecimento global, a degradação das áreas costeiras pela ocupação humana e a introdução de espécies exóticas em habitats a que não pertenciam naturalmente.
Apesar das dificuldades e dos números alarmantes citados pelo Almirante, que indicam, por exemplo, que 30% dos corais do mundo – que abrigam um quarto das espécies marinhas – passam por problemas muito sérios e que 20% de todos os mangues foram destruídos para a criação de camarão, Gusmão Câmara acredita que muito pode ser feito na tentativa de desacelerar a degradação dos mares. A otimização do método de pesca seria uma atitude para amenizar o problema, já que a pesca de arrasto desperdiça até 95% do que é capturado.
Gilberto Salles, oceanógrafo ligado ao ICM Bio - Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade e ao Projeto Tamar, defende que classificar a pesca como algo ruim seria simplificar uma questão complexa. A certificação da atividade, com critérios que respeitem a reprodução das espécies, poderia ser uma saída. Para ele, os problemas ambientais são uma evidência de que passamos por uma crise em nosso modelo de civilização e não há solução simples, assim como os pescadores não são vilões e os ambientalistas não são mocinhos. “Não há os bons e os ruins, há atos equivocados e desinformação”, diz.
O BEM DO MAR É O MAR, É O MAR
Para agir a favor da preservação do mar é possível adotar medidas simples. Uma delas é não fazer, na praia, o que não se faz dentro de casa, como jogar lixo no chão. Outra maneira é pressionar o governo através de ações individuais – como escrever cartas e participar de passeatas – ou de ações coletivas – apoiando uma ONG, por exemplo, para que a fiscalização da pesca e das áreas de conservação já existentes seja mais eficiente e para que sejam criadas novas áreas de conservação.
Ana Paula Prates, coordenadora do Núcleo da Zona Costeira e Marinha do Ministério do Meio Ambiente , destacou a importância da existência de uma demanda da sociedade para que o governo atue mais na preservação ambiental. Ela também indicou avanços na política pública nessa área, como a publicação, em 2006, do decreto do Plano Nacional de Áreas Protegidas que tem como meta estabelecer até 2015 um sistema abrangente de áreas protegidas ecologicamente, tanto terrestres como marinhas.
Segundo Ana Paula, a falta de recursos ainda é um fator que limita a atuação do Ministério do Meio Ambiente, mas já houve avanços: apesar de o foco principal do órgão ser o combate ao desmatamento, a verba liberada este ano para a fiscalização da pesca passou de R$6 milhões para R$18 milhões.
O Greenpeace recomenda que 40% da costa seja incluída em reservas marinhas – meta superior aos 20%, a curto e médio prazo, e aos 30%, a longo prazo, estabelecidos pela ONU. O Ministério do Meio Ambiente estabeleceu uma porcentagem mais tímida – de 10% da costa brasileira - como objetivo até 2012, mas Ana Paula reconhece que, ainda assim, é uma meta difícil de ser cumprida.
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